Estamos sem teatro há quatros anos e sem o Lulu há 50! Dentro de toda essa discussão sobre o Teatro Municipal de Americana, fechado por motivos já divulgados e que causaram muita revolta, não podemos nos esquecer do ilustre americanense que dá nome a ele, o poeta Lulu Benencase, que há exatos 50 anos partiu, deixando saudades e muitas histórias.

Lulu Benencase “partiu antes do combinado”, como diz seu admirador e amigo, Rolando Boldrin, no dia 16 de janeiro de 1965, com 52 anos. Mesmo fazendo carreira em São Paulo, não deixava de estar em Americana, sua terra natal, onde foi sepultado. 

Abaixo, segue uma matéria publicada na revista “Almanaque Cultura”, produzida em 2008, pela 3marias, que conta um pouco da história desse poeta, não só importante para Americana, mas também para a Cultura brasileira.

Foi poeta, somente poeta

Amálio Benencase (1913 - 1965), o Lulu, nasceu em Americana, filho de Tarquino e Ana Ventri Benencase. Era irmão do professor, maestro e compositor Germano Benencase. Desde cedo (1928) contava piadas e imitava personagens da época no palco do saudoso Cine Central, em Americana. Fez parte da academia de teatro Amilar Alves, de Campinas, na mesma época (1933) em que trabalhava no escritório da fábrica de fitas de Hans Shwaizer, que ficava na Rua 30 de julho. Em 1953, o escritório mudou-se para São Paulo e, com ele, também foi Lulu.

Certa noite, na capital, assistindo a um show com artistas de São Paulo e Rio de Janeiro, foi até o diretor do espetáculo para pedir uma oportunidade e apresentar suas piadas e imitações. Após alguma insistência, o diretor permitiu que Lulu se apresentasse. O sucesso foi tão grande, que o público pedia somente Lulu no palco. Assim começou sua vida artística.

Na lápide simples de seu túmulo, no Cemitério da Saudade, em Americana está escrito: Foi poeta, somente poeta.

Carreira

Lulu Benencase lançou vários artistas, como a dupla Tonico & Tinoco e Mazzaropi, entre outros que fizeram muito sucesso no rádio, TV e cinema. O caricaturista Belmonte, da Folha da Manhã de São Paulo, depois de ouvir Lulu declamar suas maravilhosas poesias caboclas lhe deu o apelido de: Juca, o poeta do sertão.

O programa Festa na Roça, da Rádio Tupi, marcou época. “Era um programa caipira de auditório de bom gosto, com produção do Lulu, que foi sucesso por mais de 25 anos e por onde passaram grandes nomes da nossa cultura caipira e popular”, lembra Rolando Boldrin.

Em 1960 Lulu apresentou o programa no antigo Cine Brasil, em Americana, local onde hoje é o Teatro Municipal Lulu Benencase.

Rolando Boldrin

Ícone da televisão brasileira, Rolando Boldrin era grande amigo e discípulo de Lulu Benencase. Rolando, que atualmente apresenta o programa Sr. Brasil (TV Cultura), já declamou muitos dos poemas de Lulu na TV, tendo também gravado vários textos e músicas, entre elas, "Vamos Tirar o Brasil da Gaveta", cujo título é utilizado até hoje como slogan de um importante projeto de divulgação de talentos da música brasileira.

A pedido do Almanaque Cultura, Rolando escreveu a seguinte mensagem sobre Lulu:

 

Lulu Benencase foi o mestre de todas as emoções declamadas. No programa de auditório superlotado aos domingos à tardinha, o lendário Festa na Roça, quanta lágrima aquele ator maravilhoso fez escorrer dos olhos emocionados de um público atento ao seu personagem Juca, o poeta do sertão. O que faço hoje, nos meus programas de TV, declamando versos, Lulu já fazia nos anos 50 na Rádio Tupi de São Paulo. Lulu é o meu Guru (até rimou)...

A benção, poeta Lulu.

Fonte: biografia escrita por Lelo Benencase, filho do maestro Germano e sobrinho de Lulu. Foro gentilmente cedida pela família Benencase.

 

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